Apoio não é compactuar com crimes, diz ministra de Lula sobre elo com miliciano

Inicio Notícias Rio de Janeiro 0 Atualizado em

A ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil), afirmou em nota nesta terça-feira (3) que o apoio político recebido do ex-PM Juracy Prudêncio, apontado como chefe de uma milícia na Baixada Fluminense, não significa compactuar com eventuais crimes cometidos por ele.

O posicionamento foi divulgado após o site Folha de São Paulo revelar que o grupo político da ministra mantém há ao menos quatro anos vínculos com a família de Jura, como é conhecido o ex-PM condenado sob acusação de homicídio e associação criminosa.

Daniela teve o apoio da ex-vereadora Giane Prudêncio, mulher de Jura, nas eleições de 2018 e do ano passado. O próprio miliciano se envolveu em atos de campanha de Daniela há quatro anos, quando cumpria as condenações por homicídio e associação criminosa em regime semiaberto.

“A ministra do Turismo, Daniela Carneiro, durante sua campanha, em 2018, recebeu apoio em diversos municípios. Ela ressalta que o apoio político não significa que ela compactue com qualquer apoiador que porventura tenha cometido algum ato ilícito. Daniela salienta que compete à Justiça julgar quem comete possíveis crimes”, afirma a nota enviada por sua assessoria de imprensa.

A ministra reafirmou, também em nota, não ter relação com a nomeação feita pela Prefeitura de Belford Roxo, comandada pelo marido Waguinho, que viabilizou a progressão de regime do miliciano para o semiaberto. Foi no período em que saía da prisão para trabalhar que o ex-PM participou de atos de campanha.

“Quanto às nomeações na Prefeitura de Belford Roxo, a ministra enfatiza que não tem nenhuma ingerência, pois o ato é de competência exclusiva do Poder Executivo.”

A Justiça suspendeu a autorização de trabalho em janeiro de 2020 após identificar possíveis irregularidades na atuação do ex-PM na prefeitura. O município ainda não se pronunciou sobre o caso.

Atualmente, Jura está detido na Cadeia Pública Constantino Cokotós, destinada a agentes de segurança presos.

O Ministério Público considera que ele é “detentor de poderio e de capacidade para arregimentar homens e armas dentro de sua estrutura criminosa, mesmo estando preso”. A Secretaria de Administração Penitenciária, por sua vez, classifica seu comportamento como excepcional.

O advogado Luan Palmeira, que defende Jura, afirmou que o ex-PM “não nutre qualquer vínculo com atividades criminosas”. Disse ainda que Giane é “política de grande estima” e “jamais teve seu nome envolvido em qualquer ato de promiscuidade no desempenhar da vida pública”.

“A pretensa proximidade entre Juracy e Giane Jura com Daniela do Waguinho não possui o condão de arranhar a reputação da ministra do Turismo”, disse o advogado.

Daniela foi nomeada por Lula como uma forma de contemplar a União Brasil e ampliar a presença feminina na montagem dos ministérios. Também foi uma retribuição pelo empenho dela e do marido na campanha do segundo turno em favor do petista. O casal foi uma das poucas lideranças a apoiar abertamente Lula na Baixada Fluminense.

A ministra foi reeleita deputada federal como a mais votada no Rio de Janeiro. Como a Folha mostrou, a campanha dela foi marcada pelo apoio irregular de oficiais da Polícia Militar e pelo ambiente hostil e armado contra adversários políticos de sua base eleitoral.

Uma das apoiadoras de Daniela foi Giane, ex-vereadora de Nova Iguaçu. Em suas redes sociais, a mulher do ex-PM divulgou caminhadas com bandeiras que liderou em favor da ministra e do deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), de quem é assessora.

As postagens eram acompanhadas da frase “família Jura sempre com vocês”.

Jura é ex-cabo da PM. Em 2004 e 2008, tentou uma vaga na Câmara Municipal de Nova Iguaçu, sem sucesso. Para o Ministério Público, o ex-PM também usava a estrutura criminosa para exercer influência política.

Ele foi preso em 2009 sob acusação de comandar uma milícia nas cidades de Belford Roxo, Queimados, Nova Iguaçu e São João de Meriti. Ele foi condenado a 22 anos de reclusão pelo homicídio de um homem em Nova Iguaçu e a quatro anos sob acusação de associação criminosa.

De acordo com a Promotoria, Jura comandou um grupo paramilitar armado que invadia comunidades da região exigindo taxa de proteção de comerciantes e moradores. Após sua prisão, uma manifestação na rodovia Presidente Dutra foi feita pedindo sua liberdade.

Em 2012, sua mulher, Giane, conseguiu uma cadeira na Câmara Municipal de Nova Iguaçu pelo partido PTN. Ela acabou não sendo reeleita quatro anos depois.

Fonte: MSN


Apoio não é compactuar com crimes, diz ministra de Lula sobre elo com miliciano

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Governo publica MP que prorroga desoneração dos combustíveis


« Artigo Anterior

Veja as 39 promessas de Lula


Próximo Artigo »

Leia mais notícias

‘Pode ser amanhã ou nunca’, diz Flávio sobre volta de Bolsonaro ao Brasil

‘Pode ser amanhã ou nunca’, diz Flávio sobre volta de Bolsonaro ao Brasil

Tatuagem escondida de Daniel Alves é prova decisiva

Tatuagem escondida de Daniel Alves é prova decisiva

De moeda comum a militares: 4 recados de Lula após encontro com Fernández

De moeda comum a militares: 4 recados de Lula após encontro com Fernández

São Paulo: Polícia Civil desmonta desmanche ilegal que utilizava mão de obra infantil

São Paulo: Polícia Civil desmonta desmanche ilegal que utilizava mão de obra infantil

Mulher que foi ao hospital para dar à luz, e infelizmente, retornou com uma das mãos amputadas

Mulher que foi ao hospital para dar à luz, e infelizmente, retornou com uma das mãos amputadas

Anderson Torres é preso pela Polícia Federal ao chegar a Brasília

Anderson Torres é preso pela Polícia Federal ao chegar a Brasília